Wednesday, November 15, 2006
Thursday, October 05, 2006
PETROUCHKA
É um dos mais famosos balés de Igor Stravinsky, ao lado de "O Pássaro de Fogo" e "A Sagração da Primavera". Estreou no Théatre du Chatelet de Paris em 1911, dia 13 de julho, com a companhia de Balé Russo de Diaghilev e o lendário Nijinsky interpretando o papel título. Stravinsky buscou, nessa partitura, recriar a atmosfera das festas populares de seu país, colocando em cena as mais variadas personagens circulando por uma praça de São Petersburgo, final de inverno, em plena Terça-feira Gorda do Carnaval de 1830. É nesta velha praça que encontraremos uma Feira de Diversões com mascarados e artistas saltimbancos, dividindo a atenção do público: são dançarinas, domadores de animais, homens do realejo despertando cantigas. É grande a concentração de gente, ainda maior é o rumor... nada que não estivesse planejado. "Ao compor a música", escreveu Stravinsky em sua biografia, "tinha na imaginação a figura característica de um boneco, repentinamente dotado de vida, que viesse irritar a orquestra com diabólicas cascatas de arpegios ao piano. Por sua vez, a orquestra responderia com ameaçadores acordes de trompete. O resultado: é então um barulho terrível que chega ao clímax e termina com o triste e lamentável fim do pobre boneco." Ao invés de um balé, o compositor estava trabalhando uma peça de concerto para piano e orquestra, criando um sensível diálogo entre os instrumentos, com todo senso da natureza que é ora cômica, ora trágica. Talvez isso tenha levado a obra original, pouco tempo depois, à intenção de espetáculo de dança. E é interessante perceber o detalhe: "Petrouchka" nasceu de uma motivação visual, bem verdade uma imagem interior, como não existindo fronteiras entre as diversas linguagens quando são forma-pensamento. De agosto de 1910 a maio do ano seguinte, Stravinsky trabalhou na composição do balé "Petrouchka". O libreto/roteiro da estória foi escrito pelo próprio compositor e Alexander Benois, que também assinou os cenários e figurinos. Precisando dar mais música para a ação no palco, Stravinsky alimentou-se de um grande número de melodias folclóricas russas fazendo convergir os repertórios erudito e popular na sanha dos resgates da tradição... Por fim, a partitura primitiva transformou-se na música que é ouvida durante a segunda cena (No Quarto de Petrouchka).
Sunday, October 01, 2006
A COMPETIÇÃO E A URGÊNCIA

Segundo o relato de Lucas, o que levou Jesus a ensinar a oração dominical (não de Domingo mas do latim Senhor, também conhecida pelo Pai Nosso) foi a vontade de um discípulo seu não ficar atrás dos discípulos de João Batista. João Batista havia ensinado os seus a orar, coisa que Jesus até à altura não tinha feito. A competição e a urgência, as duas muito bem embaralhadas nas mãos do Messias. Sei que os leitores acharão capricho religioso para efeitos de dinâmica literária, mas faço afirmação de que não é.
BENTO 16 E A TOLERÂNCIA

Bento XVI e a tolerância
A Igreja não obriga ninguém a acreditar no Evangelho, segundo afirmou B16 ao novo embaixador da Alemanha no Vaticano.É possível que assim seja pois o próprio Papa, por cultura e inteligência, certamente não acredita. O problema é que obriga a que se creia na Igreja católica o que é ainda pior.Os mais desatentos hão de julgar que a ICAR renunciou à violência e se converteu à democracia, que respeita as democracias, aceita o pluralismo e renega o proselitismo. Nada disso. Em Timor o bispo Ximenes Belo proibiu o uso da pílula. Há pouco, os dois bispos atuais promoveram manifestações contra o Governo eleito e opuseram-se a que o ensino da religião passasse a ser facultativo, como determina a Constituição. Derrubaram o Governo e a disciplina de Religião Católica voltou a ser obrigatória. Na Espanha, A ICAR até o primeiro-ministro queria obrigar a ir à missa papal. A América do Sul, sofre a opressão religiosa, sobretudo do Opus Dei, que se opõe com violência ao planeamento familiar, ao divórcio e à legislação sobre a IVG. O defunto Papa JP2 foi amigo dos mais sinistros ditadores e chegou a interceder por um assassino e ladrão de nome Augusto Pinochet. Talvez a ICAR tenha desistido, por vergonha, de obrigar a acreditar no Evangelho mas não renunciou a impor os dogmas e, quando pode, a exibir a sua força.
Saturday, September 30, 2006
Friday, September 29, 2006
A REBOURS
A produção de huysmans.- é pequena e teve um impacto significativo sobre os decadentistas e simbolistas franceses, a fortiori Mallarmé (ver ‘Um golpe de dados’) e Lautreamont. Existe uma tradução nacional bacana, do José Paulo Paes, pela Cia. Das Letras, chamada ‘Às avessas’ (A Rebours), só que, salvo engano, fora de catálogo. O personagem desta novela, Des Esseintes, um dândi parisiense erudito e decadente, influenciou diretamente o Dorian Gray, de Oscar Wilde e o Swann, de Proust, assim como todos os ‘almofadinhas’ cerebrais da literatura (inclusive Fritzgerald e Vita Sackville-West) . Cada um dos seus capítulos é uma monografia interior acerca de assuntos tão variados quanto à psicologia das cores, a filosofia do mobiliário, a literatura latina da decadência, pedras preciosas, flores exóticas, a semiótica dos perfumes, música medieval religiosa e epifânica, etc. Se existe um manifesto doutrinário, de índole plástica, do art-noveau, com certeza é ‘A Rebours’. O personagem Des Esseintes, como Montesquieu ou Tristan Corbière, não esconde sua preferência pelos autores da decadência latina – Petrônio, Tertuliano e Apuleio – desprezando os clássicos gregos como Virgílio e Cícero, só para ser diferente e metido a besta. Figurinha neurastênica esse Des Esseintes! De mais a mais, a ambigüidade sexual permeia toda a obra, tornando-a ainda mais fascinante. ‘A Rebours’, as litânias satânicas de ‘Là-Bas’ – ambos de Huysmans -, ao lado do ‘Manuscrito encontrado em Saragoça ’, de Yan Potocki, são os meus livros favoritos deste período.
Tuesday, September 26, 2006
REPULSION
O clássico Repulsion (1965) conta com a participação de Catherine Deneuve como Carole, uma tímida e sexualmente reprimida garota belga que vive em Londres com a sua irmã (Yvonne Furneaux) e trabalha num salão de beleza. Quando a sua irmã se ausenta com o namorado para umas férias, Carole é deixada sozinha no apartamento de ambas. Paralisada com medo, evita sair de casa para o emprego e fecha-se no apartamento, onde rapidamente percorre um caminho que a levará à loucura e ao homicídio. Repulsion pertence a uma trilogia que muitos gostam de chamar de “The Apartment Trilogy”, que inclui, para além deste filme, Rosemary’s Baby (1968) e Le Locataire (1976). Ao vermos qualquer um destes filmes torna-se óbvio o título atribuído a esta espécie de trilogia solta. Todos eles têm como temas principais a solidão, o isolamento, a reclusão e a loucura. Têm também um outro “ator principal”, o apartamento numa grande cidade, onde o personagem se isola, dando origem a uma solidão que se pode entender como um “solitário com muita gente”. Estes temas, tornados recorrentes nos filmes de Polanski, encontram em Repulsion a sua representação mais séria, não procurando refúgio em temáticas sobrenaturais ou humor negro. No centro da narrativa, a reclusão de uma personagem, Carol. Esta reclusão, para além de afetar a narrativa, influencia toda uma estética visual. Quando Carol, que sofre claramente de problemas mentais ou psicológicos, cai numa espiral descendente de loucura, é através dos seus olhos que observamos o mundo, o seu mundo.
Quando vemos Repulsion é inevitável não pensarmos no Expressionismo Alemão. Filmes como “O Gabinete do Dr. Caligari” (1920) de Wiene ou “Nosferatu” (1922) de Murnau, são sem dúvida pontos-chave para estabelecermos uma relação e comparação. Totalmente afastado da estética mais teatral do Caligarismo, Repulsion não o recusa quando se trata de caracterizar a deformação do espaço, que através dos olhos da personagem sofre as mais diversas mutações/alterações que ilustram os conflitos internos dessa mesma personagem. O mesmo se passa com o uso do contraste entre a luz e a trevas, neste caso, entre a sanidade e a loucura. Tal como nos primeiros filmes expressionistas, que não eram sonoros e onde os atores se valiam das suas expressões faciais para demonstrarem o que se passava no seu intimo, Repulsion não se refugia nos diálogos para ilustrar o que vai na mente da personagem. Serve-se sim de um silêncio e de uma timidez que, refletidos na face de Catherine Deneuve, se tornam completamente incomodos e aterradores.
Com o decorrer da película é fácil encontrar elementos que se podem associar ao Expressionismo, sejam os grandes planos do rosto da personagem, as rachas das paredes do apartamento que aumentam cada vez que o pânico assalta a personagem, o aspecto orgânico, semelhante a barro, dessas mesmas paredes que retêm em si as marcas do rosto e das mãos de Carol quando esta se encosta a elas, ou até mesmo as mãos que brotam das paredes de um corredor e se esticam para tocar/agarrar a personagem.
O que poderia parecer um simples filme de horror, revela-se muito mais do que isso. Filmado de uma forma fria e analítica, jogando com influências dos mais diversos quadrantes, Repulsion torna-se um estudo clínico sobre a loucura humana, permitindo ao espectador mergulhar na mente da personagem principal sem que a qualquer momento sinta compaixão pela sua desgraça ou a censure pelos seus atos.
Se são claras as correntes que influenciaram Roman Polanski na realização deste filme, é também clara toda a sua genialidade, ao criar uma história que ainda hoje se revela perturbadora e que abriu muitas portas para um género de cinema que se tornou cada vez mais extremo.
Quando vemos Repulsion é inevitável não pensarmos no Expressionismo Alemão. Filmes como “O Gabinete do Dr. Caligari” (1920) de Wiene ou “Nosferatu” (1922) de Murnau, são sem dúvida pontos-chave para estabelecermos uma relação e comparação. Totalmente afastado da estética mais teatral do Caligarismo, Repulsion não o recusa quando se trata de caracterizar a deformação do espaço, que através dos olhos da personagem sofre as mais diversas mutações/alterações que ilustram os conflitos internos dessa mesma personagem. O mesmo se passa com o uso do contraste entre a luz e a trevas, neste caso, entre a sanidade e a loucura. Tal como nos primeiros filmes expressionistas, que não eram sonoros e onde os atores se valiam das suas expressões faciais para demonstrarem o que se passava no seu intimo, Repulsion não se refugia nos diálogos para ilustrar o que vai na mente da personagem. Serve-se sim de um silêncio e de uma timidez que, refletidos na face de Catherine Deneuve, se tornam completamente incomodos e aterradores.
Com o decorrer da película é fácil encontrar elementos que se podem associar ao Expressionismo, sejam os grandes planos do rosto da personagem, as rachas das paredes do apartamento que aumentam cada vez que o pânico assalta a personagem, o aspecto orgânico, semelhante a barro, dessas mesmas paredes que retêm em si as marcas do rosto e das mãos de Carol quando esta se encosta a elas, ou até mesmo as mãos que brotam das paredes de um corredor e se esticam para tocar/agarrar a personagem.
O que poderia parecer um simples filme de horror, revela-se muito mais do que isso. Filmado de uma forma fria e analítica, jogando com influências dos mais diversos quadrantes, Repulsion torna-se um estudo clínico sobre a loucura humana, permitindo ao espectador mergulhar na mente da personagem principal sem que a qualquer momento sinta compaixão pela sua desgraça ou a censure pelos seus atos.
Se são claras as correntes que influenciaram Roman Polanski na realização deste filme, é também clara toda a sua genialidade, ao criar uma história que ainda hoje se revela perturbadora e que abriu muitas portas para um género de cinema que se tornou cada vez mais extremo.
CINEMA - A IMPORTÂNCIA DA MONTAGEM

Seria redutor considerarmos o processo de montagem de um filme como algo que se resume a um simples “cortar e colar”. A montagem é muito mais que isso, e a complexidade e quantidade de fatores que contribuem para a criação do objeto cinematográfico são imensos: a cenografia, os diálogos, os atores, a cor, a banda sonora, etc. Todos estes elementos fazem com que o objeto cinematográfico possua uma heterogeneidade que não é mais que o resultado do agrupamento e organização desses fatores que, através do processo de montagem, se ligam para tornar possível a manifestação da narrativa.
Podemos, então, entender a montagem como um processo onde as texturas (ou elementos) já referidos são manipulados, não só do ponto de vista técnico, mas também do ponto de vista “gramatical”. O objetivo é criar uma narrativa que irá conduzir os espectadores para que estes penetrem no imaginário de quem cria a obra, conseguindo “ver” a ilusão.
Ao criar os planos, o realizador procura estabelecer uma dominância que pode ser um ator específico, um movimento de um ator, um objeto, uma cenografia, etc. Como recursos, além do enquadramento, somam-se os movimentos de câmara que podem ser de várias espécies: aproximação, afastamento, grua, “travelling”, câmara na mão, etc. No entanto, o realizador não pode esquecer que a ideia de ritmo pertence à harmonia entre todos os elementos citados.
A montagem acaba por funcionar como uma espécie de jogo, ou seja, um conjunto de regras mediante as quais o cinema nos transmite uma simulação de liberdade; a montagem propriamente dita efetua sobre o fotográfico (real) autênticos atos de subversão. Isto porque, ao privilegiar os traços de um ou outro fotograma e ligar os fotogramas baseando-se nesses mesmos traços, a montagem “destrói” grande parte das formas do visual fotográfico anterior para trazer ao espectador as configurações de uma nova visualidade conseguida através de um jogo de relações que tornam perceptíveis ao olho humano elementos que este não conseguia/podia captar.
O GOETHE DO FURA DEL BAUS


Esta adaptação do romance Fausto de Goethe é uma parceria com o grupo teatral Fura Del Baus, o que desde logo é uma conjugação de fatores bastante abonadora. No entanto, para quem está à espera de ver a uma adaptação fiél de Fausto desengane-se, porque o filme trata sim, do sonho faustiano, do pactuar com o Diabo, o sonho vida eterna. Ao fim e ao cabo é uma mensagem moral do "tem cuidado com o que pedes" e uma história sobre a mortalidade humana. E para quem está à espera de algo semelhante ao que os Fura Del Baus têm nos apresentado em passagens recentes pelo nosso país, volta a estar errado; nota-se o toque do grupo teatral espanhol, mas não da forma violenta e atroz que nos têm habituado (violência, guerrilha, ocupação de espaços midiáticos, etc.). Os Fura no filme atuam sempre com os efeitos pirotécnicos, com a figura do corpo humano como plano central, ora seduzindo, ora criando repulsa. Fausto 5.0 é então assim um conto moderno sobre a fragilidade humana; um médico cuja especialidade é a medicina terminal vai-se ver a contas com os seus sonhos, num desenlace numa cidade de aspecto futurista, degradante e deprimente, onde o surrealismo e o subliminarismo povoam a película. Um filme cativante e emotivo, estranho e pesado, onde os Fura Del Baus estão sempre presente, numa atuação bastante positiva de Eduard Fernandez, um espanhol que confesso que desconhecia, mas que esá bastante bem.
Thursday, September 21, 2006
FILM POSTERS - EXPLOITATION



Alguns títulos são subgêneros grosseiros que pouco ou nada devem ao olhar cinéfilo. Mas seus cartazes são de um primor gráfico absolutamente delirante. O livro Film Posters - Exploitation, além de trazer belíssimos cartazes originais cobrindo variados títulos do cinema exploitation e schlock, apresenta a ficha técnica, composição e o processo de criação destes promos artísticos. Film Posters - Exploitation está à venda na 2001 Video - .
NICK TOSCHES

O jornalista e colaborador da Vanity Fair e New York Times em entrevista a BRAVO! de setembro:
_ VOCÊ ACHA QUE A AMÉRICA PRECISA TRANSFORMAR TRAGÉDIAS REAIS EM FILMES PARA PARENDER A LIDAR COM ELAS?
_ Os filmes não nos ajudam a entender nada. Filmes ajudam a vender pipoca.







